sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Seria qualquer coisa se não fosse exato. Ainda assim não tem nome ou espaço. Apenas algo vago que vejo refletido através do copo... Mais um gole. Aperto minhas vistas, insistindo em fingir não ver.

Troco da lâmpada para o sol, comprometendo-me, ainda, com o silêncio do dia que mal começou. Ameaço não vê-lo e chego até a me despedir. Mas recuso a reclusão também.

Uma volta em tudo que ficou largado. Ainda não sei se gosto desse cheiro de podre que ficou, do espantalho que agora vive a sorrir, com cara de bom moço, roupas quase limpas, agachado perto dos tomates - que nem se coram mais quando me vêem -, torcendo a meia encharcada ou, ainda, desses pássaros que comem tudo apressados, fingindo não haver nada ali.

Uso as mãos para começar a cavar a terra. Perco-me de mim, e só paro quando o dia já havia se despedido há algum tempo. Forro tudo aquilo com pequenas pedras que vou recolhendo sem pressa. Uma após a outra, enchendo os bolsos da calça, da camisa e até o chapéu. Uma ou outra escondo dentro do sapato. Quando termino sento em uma das bordas, torcendo pra que chova incontrolavelmente e encha o lago recém criado.

Ainda não sei se poderia ser alguma coisa. Tampouco pensei. Esqueci tudo de esquisito dentro de mim. Mas ainda assim pode ser. Ascende um fósforo que não queima, e a chama... Não, não vou. Mais um gole e aquilo ali, ainda assim.

13 comentários:

  1. Em algum momento nossa escrita se completa... talvez por que aqui me vejo de forma mais extensa e não menos controversa... perfeito cara.

    ResponderExcluir
  2. Delícia, delírio de palavras, contextos, visões subjetivas e não menos objetivas do que somos ou poderemos vir a ser...

    Amo voltar aqui...


    Beijos em chama...

    ResponderExcluir
  3. Navegando sem ruma com a intenção de divulgar o meu blog, cheguei até você e gostei do que vi, tanto que pretendo voltar mais vezes. No momento estou impedida de fazer leituras muito extensas, pois a claridade da tela do computador está prejudicando um pouco a minha visão, devo tomar cuidado. Em breve resolverei esse problema. Bem, já que estou aqui aproveito para convidar a conhecer FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... em http://www.silnunesprof.blogspot.com
    Eu como professora e pesquisadora acredito num mundo melhor através do exercício da leitura e enauqnto eu existir, vou lutar para que os meus ideiais não se percam.
    Se gostar da minha proposta, siga-me.
    Por hoje fico por aqui, Espero nos tornarmos bons amigos.
    Que a PAZ e o BEM te acompanhem sempre.
    Saudações Florestais !

    ResponderExcluir
  4. "Ainda não sei se poderia ser alguma coisa. Tampouco pensei. Esqueci tudo de esquisito dentro de mim"
    adorei isso, tão sincero.
    *--*

    um post incrivel João!

    ResponderExcluir
  5. "Perco-me de mim". Perder-se de si entre um gole e outro me causou uma senasação ébria em suas palavras. Sempre produzindo belos textos.

    ResponderExcluir
  6. Quando leio eu consigo ver as cenas bem claramente. Lindo tudo isso aqui!
    beijos

    ResponderExcluir
  7. é uma dúvida tão antiga, mas a dúvida do "ser" é algo que atravessa gerações, sempre gera discussões e nunca encontra-se respostas.
    Nem em meio a goles, fumaça, pós.
    Desisti de perguntar, decidi viver.

    Beijo

    ResponderExcluir
  8. Que lindo *-*
    Perder-se de você mesmo acontece tantas vezes não é mesmo?
    Mas sempre há uma força escondida que nos deixa encontrar o seu eu novamente :)

    ResponderExcluir
  9. Saudades...


    Passando para desejar-lhe um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de grandes realizações.

    Beijos Confessos...

    ResponderExcluir
  10. Meu caro... vim aqui te desejar um feliz 2010... e que novas postagens façam a realização de nós súditos leitores... um abs.

    ResponderExcluir
  11. mas um gole nesta sua afida escrita de boa tigela...

    abraços,
    e retorne logo...

    ResponderExcluir
  12. aguarda ansiosamente sua atualização!
    que bom que voltou ^^

    ResponderExcluir