segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Dormi quase uma semana, enquanto tecia alguns trapos que serviriam para cobrir meu corpo. Fiz um rosto novo na parede ao lado, enquanto cobria o outro com um pouco do dia, que todo dia iria surgindo, sem calma.

Joguei algumas pedras dentro do meu sapato, calcei-os e passei a pisar firme. Trancei a barba esquecida ali, a crescer, dançando meus olhos sob as pálpebras, procurando sobreviventes entre as faltas cometidas no escuro, sem procurar, dessas verdades fingidas entre um gole lúcido e o devaneio do pensamento.

Iludi-me com tudo aquilo, transpirando ainda o cortejo, lembrando de mim esquecido, nesses dias, vestido de pele, com o frio alcançando os olhos destes que não me olham.

4 comentários:

  1. Danço feliz ao ler Você, nem mil pedras em meu sapato evitaram que eu levitasse ao saborear texto tão incomum, singular...

    Beijos ímpares...

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  2. Adoro suas letras.
    são inspiradoras João.

    =D

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  3. Genialidade nata!

    Faz-me muito bem vir aqui....

    Ab

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  4. Você tem literalmente tem devaneios quando escreve...

    Fico feliz que esteja gostando de Hanna. É uma mulher interessante.

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